História Resumida de Marituba

A história de Marituba contada resumida para o conhecimento da evolução passo a passo de como teve início o surgimento do atual município hoje denominado MARITUBA.

Em 28 de outubro de 1848, nos termos da Lei nº 514; o Governo Imperial concedeu ao Presidente da Província do Pará, cerca de seis léguas de terra. Esta área destinava-se ao desenvolvimento agrícola, até então incipiente na região. Após a demarcação da área, o presidente da província obteve da Assembleia Legislativa a autorização para promover o desenvolvimento desta, através de meios de escoamento da produção agrícola, no trecho compreendido entre a cidade de Bragança e de Belém.

O presidente da Província do Pará, Francisco Maria Corrêa de Sá e Benevides, obteve autorização da Assembleia Legislativa, para conceder o privilégio, pelo prazo de quarenta anos, à empresa que pudesse construir uma estrada de ferro, entre Belém e Bragança, ficando os concessionários obrigados a mandar vir estabelecer-se ao longo da ferrovia cerca de dez mil colonos com suas respectivas famílias. O Governo Imperial se responsabilizava pelo pagamento das passagens. Foi escolhida a colônia que recebeu o nome de Benevides. A comitiva de inauguração da estrada de ferro desembarcou do vapor “Pará”, no povoado de Marituba.

Assim a localidade Marituba nasceu em função da Estrada de Ferro Belém-Bragança, diga-se de passagem, a ferrovia de construção mais demorada do mundo: com 293 quilômetros de extensão, suas obras duraram 25 anos. Seu primeiro trilho foi assentado no dia 24 de junho de 1883, pelo Barão de Mocajuba, presidente da Província do Pará na época, e concluída no dia 03 de maio de 1908, já pelo Governador, Dr. Augusto Montenegro.

O primeiro trecho da via férrea foi aberto ao público em 09 de novembro de 1884 e compreendia 29 quilômetros, de Belém a Benevides. O segundo trecho estendia-se de Benevides a Santa Isabel, concluída em 1885. Seguiu-se o prolongamento até Apeú e inauguração das Estações do Livramento (1903), de Peixe-boi e Capanema (1907), de Quatipuru e Bragança (1908).

Essa ferrovia foi concebida em face da necessidade de escoamento dos produtos agrícolas das colônias instaladas ao longo da Estrada de Ferro de Bragança, tais como: Apeú, Castanhal, Inhangapi, Jambu-Açu e outras, com o objetivo de facilitar a exploração e ocupação daquela vasta região do Pará. Os primeiros imigrantes, em número de 68, eram de origem francesa, italiana e espanhola. Chegaram a Belém no dia 25 de abril de 1875. Outros vieram depois. Maioria desses núcleos agrícolas hoje são municípios de conhecido destaque.

Quando os trilhos da via férrea já estavam próximos a Capanema, Marituba foi o local escolhido pelo governador Augusto Montenegro, para a construção da Estação Ferroviária e a sede de manutenção da ferrovia com a instalação das Oficinas da Estrada de Ferro, onde os trens se abasteciam de água e lenha, depois da estação inicial de São Braz, em Belém.

Foi instalada em Marituba a Vila Operária. As obras tiveram início em novembro de 1905, sendo concluídas no ano seguinte. Suas terras pertenciam ao município de Belém, cujos limites chegavam até Igarapé-Açu.

Quase ao final da construção da estrada de ferro, os dirigentes da empresa E.F.B.B (Estrada de Ferro Belém-Bragança) construíram uma vila composta de 17 grupos de duas casas, em Marituba, para abrigar os operários da manutenção e outros funcionários da empresa. Surgia assim a Vila Operária, dando origem ao povoado de Marituba, no período de 1906 a 1907. Formaram-se, em paralelo, os balneários ao longo do rio Marituba bem como os aglomerados de produtores agrícolas, nas nascentes do rio Oriboquinha, que supriam o abastecimento alimentar da população residente e os visitantes da Vila Operária.

Vale ressaltar que o fornecimento de víveres da empresa para os funcionários era todo controlado, a ponto de saber-se o consumo de cada um. Não era permitido vender nada para visitantes. Assim, quando um empregado recebia uma visita, era necessário pedir por escrito e antecipadamente, ao chefe imediato, uma ordem para que o açougue fornecesse o quilo extra de carne.