Sindicato dos jornalistas no exercício do seu desvio funcional

A mais dedicada entre as mães dos galináceos é a galinha, ela aquece os seus sem a menor restrição, puxa todos para debaixo de suas asas faz isto desde o momento em que ela precisou chocar os que foram colocados junto com a futura ninhada. Galinha não tem preconceito. Tem prazer em chocar e proteger com bicadas os que ela cacareja anunciando para os ouvidos atentos que ela tem o controle dos que estão sob a proteção dela. Mas a galinha choca apenas os ovos que adentrarem ― por esforço dela ou de terceiros ― no seu ninho, ela não permite que os ovos escolham quem entra ou quem sai da ninhada. Ela choca, mas não tem poderes para determinar a qualificação e a coloração da casca do ovo, e muito menos o tamanho e a quantidade que serão chocados. Quando muito, existe interatividade entre o ovo e sua chocadeira que poderá mudá-lo de um lugar para outro, mas todo este processo só terá chance de acontecer depois que o ovo se torna ovo e passa a fazer parte do ninho.

O papel do Sindicato deveria igualar-se ao da mãe penosa e zelosa com os seus aconchegados, mantê-los coesos ao menos no que se refere viver em uma democracia, respeitar o que foi determinado por lei. Executar a defesa dos interesses dos seus membros, não é fazer reivindicações com badernas em frente ao congresso tentando intimidar e usufruir vantagens se fazendo ignorante a respeito do que reza a constituição. Estas ações desrespeitosas só servem para reforçar o parecer de que não é o diploma que faz o jornalista. Talvez alguns deles já nasçam feitos e aproveitam o desenrolar de suas vidas para se aprimorarem na fonte do conhecimento diverso, em todas as áreas que aponta a seta da sabedoria, tempo precioso! Muito mais do que os quatro anos que os diplomados em jornalismo se dedicam estudando para saírem dos cursos específicos com o almejado título debaixo do braço qualificando-os para escrevinharem, ainda que não saibam. Aparentemente o diploma não faz com que o formando adquira: vocação da oratória, da escrita, da língua e discernimento para compreender e assimilar a essência de uma constituição como um todo! Alguns até conseguem, mas a maioria vai morrer sem nunca escrever uma linha com ou sem significado! Como ficar sabendo agora no presente, quais entre os baderneiros formados fazem parte da maioria?

Não tem como saber, mas resta uma pista: os que mais reclamarem e demonstrarem grande insatisfação serão eles os que engrossarão a fileira da maioria!

A (Fenaj) e os Sindicatos encontram-se hoje engabelados por quem ainda não conquistou o direito de voz e de opinião: os estudantes de jornalismo. Eles não estão aptos a discutir o assunto em pauta, não entraram para o sindicato, não se tornaram jornalistas, não ganharam e não receberam o direito de lutar pelo o que não conquistaram: a profissão de jornalista. Não possuem o direito palpável para que possam exibir e lutarem por ele, nada, principalmente o famigerado diploma.

Não me apontem a pré-sindicalização de estudantes que podem se pré-sindicalizar desde que já estejam cursando o 3º ano do curso superior de Jornalismo, ou Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo e com, ao menos, 50% das disciplinas creditadas. Significa dizer, que estariam ― considerando até o dia em que o STF fez uso da sua força ― com o curso praticamente concluído! E mesmo assim, os estudantes ainda não conheciam a regra estabelecida da liberdade de expressão! Barbaridade meu! A lógica insiste em cobrar dos maiores interessados, atualização a respeito do assunto mais importante para a carreira deles! Este procedimento aponta para algumas deficiências futuras, que o tempo se encarregará de mostrá-las!

É preciso lembrar que a pré-sindicalização não transforma o estudante em jornalista, mas faz dele uma fonte de renda para o sindicato, ele também vai descobrir que a pré-sindicalização não o deixa melhor em nada, por exemplo:

— Não pode trabalhar como jornalista;

— Quando terminar o curso de jornalismo pagando durante alguns anos mensalidades injustas, ele não estará filiado ao sindicato, terá que preencher uma nova ficha especifica e pagar novas taxas para se filiar;

— Não poderá fazer estágio em jornalismo;

— Não será oferecido por parte do sindicato nenhum apoio logístico para que os pré-sindicalizados promovam qualquer tipo de movimento estudantil;

— Não poderá votar nas eleições do sindicato só porque passou a ser um pré-sindicalizado;

— O pré-sindicalizado não terá direito a representatividade por parte do sindicato em questões relacionadas ao curso de jornalismo do estudante que se pré-sindicalizou.

Dito dessa forma fica mais fácil para o pré-sindicalizado perceber que a pré-sindicalização serve para dizer que ele não tem direito disto e nem daquilo e muito menos daquilo que não está ao alcance dele, e que o causador da inexistência de regalias é o que estabelece o questionável decreto. E que terão direito a voz nas assembleias. Esqueceram de avisar para eles que apenas as lideranças do movimento estudantil poderiam fazer parte da mesa com direito a voz! Mas nem pensar em fazer movimentos rebeldes exigindo o que eles não conquistaram por direito!

A situação dos estudantes apresenta-se com maior comodidade do que as associações sindicais, que se dobraram diante da vontade de jovens inexperientes que não souberam nem mesmo escolher o curso de graduação mais indicado para suas rebeldias e suas desinformações!

Resta um lenitivo para os frequentadores dos cursos de comunicação: os que não concordarem com a regra criada pela constituição e confirmada pelo presidente do STF, Gilmar Mendes, mudem de curso! Procurem tomar conhecimento das regras das demais especializações que estão sendo estudadas nas universidades deste Brasil, que possui um homem de espírito democrático e uma assinatura que vale ouro: Gilmar Mendes.

01/2010

EDVAN BRANDÃO Especialista em Língua Portuguesa e Literatura; Escritor Ficcionista e Jornalista; E-mail: edvan.brandao@gmail.com Cel: 91 98360 – 1718