Belém 392 anos com jeito de província

A cidade está sempre maquiada com expressões do glorioso passado histórico. Acorda Belém! Vivencia o presente, deixa guardado o que você vivenciou em tempos não muito distantes, nos cômodos soturnos na companhia dos que já morreram, alguns deles se dizem vivos, respirando e justificando que você é mantida olhando para trás porque consideram que esta condição retrógrada é um bem capitalizável. Tudo isso é mentira, balela, só existe uma verdade verdadeira: você é uma capital! Tratada sem o devido respeito, carinho ou consideração, pois tratam-na como se fosse uma mulher feia que não merece atenção. Os que a administram, alardeiam para os quatro cantos do município a alegria do seu aniversário, estampam por toda cidade os seus 392 anos, decantam com a força máxima das suas verbas publicitárias que estão trocando as suas roupas, transformando-a em mais formosa do que era antes. Não fica claro se o antes a que eles se referem é um ano atrás, ou 390 anos longínquos que estão esquecidos e sem memória viva para comparar as duas belezas: a de agora e a de antigamente.

Os titulares dos departamentos competentes; e os secretários das pastas encarregadas do estudo do assunto, são cegos de visões embaciadas não enxergam as desordens — de uma quase quatrocentona que anseia tornar-se uma metrópole — que estão por toda parte, não, não tenho a intenção de enumerá-las, vou discutir apenas uma delas: o congestionamento do trânsito. Faço questão de especificar o perímetro desastroso, que está localizado da Lomas até o viaduto da BR, que dá acesso para a Cidade Nova no trecho da rodovia federal, pertencente a também provinciana Ananindeua tão maltratada quanto você, que vive ressentida por não conseguir galgar o patamar de grande cidade.

Mas, como a aniversariante pode transformar-se no que ela deseja, se os que lidam com o tráfego, aparentemente nunca viajaram para lugares de imenso fluxo de veículos! Não! Com certeza não tiveram oportunidades de realizarem viagens culturais, que os esclarecessem no quesito: carros congestionados. As sinalizações da Av. Almirante Barroso (AB) e da BR até o ponto crucial em que acontecem os engarrafamentos provocam ataques de risos em qualquer viajante que tenha extensa quilometragem rodada em grandes centros urbanos. Os lugares onde são feitos os retornos e as entradas das ruas transversais na pista de rolamento do trânsito da AB e da BR, são motivos de piada. Eles estão próximos uns dos outros. Uma distância equivalente a quinhentos, mil e mil e quinhentos metros. Brincadeira! Com tamanha proximidade, não é aconselhável chamá-los nem mesmo de retorno para bicicleta, os ciclistas rodam estas lonjuras com uma mão e um pé amarrados nas costas. As cidades que tiverem a pretensão de evoluírem na escala da modernidade, só poderão conquistar o que almejam se contarem com administradores competentes e desbravadores, que não tenham medo do progresso e que não estejam comprometidos com qualquer tipo de facção política ou ramificações empresariais. Partindo-se desse perfil dos que ocupam os cargos de mandatários da cidade pretensiosa, caberá a eles mudarem radicalmente todos retornos existentes ao longo da AB e da BR, sem a preocupação ou receio de desagradar empresários, comunidades e classes sociais. Porém, não poderão esquecer da necessidade de investimentos, se não puderem executar projetos de grandes viadutos, pois que executem projetos de pequenos viadutos, que viabilizarão melhorias visionárias para a trafegabilidade dos que entram e dos que saem desta futura metrópole que aniversaria.

As adaptações práticas, inteligentes e de urgentíssima necessidade, que serão executáveis independentes de investimentos — nos pequenos viadutos que ficarão para depois — se forem vistas apenas de relance parecerão difíceis, na verdade são fáceis. Ficariam assim:

— Do viaduto ao entroncamento desapareceriam todos os retornos, eles são inviáveis, dão a impressão de fachada de cidade tupiniquim feiarrona. São eles os grandes causadores daquele engarrafamento desnecessário existente no perímetro acima citado, fica sempre parecendo que eles estão ali para beneficiarem empresas, entidade de classe, conjunto residencial ou pessoas influentes.

— Os detentores do poder para determinar essas modificações radicais, precisam conscientizar-se, que o sujeito proprietário de um veículo tem como sua primeira obrigação possuir condições financeiras de conduzi-lo devidamente abastecido pelas vias de trânsito obrigatório da cidade que ele estiver trafegando. Qualquer um entre eles, que não corresponder a esta obrigatoriedade, não estará apto a circular motorizado por ruas de cidade grande. Ele então que ande de ônibus, pois assim não atrapalhará o fluxo de tráfego em rodovia dos que estão adequados a trafegarem nela sem se preocuparem com o combustível.

— Diante da retirada dos retornos prejudiciais. Os carros, que trafegarem no sentido Ananindeua/Belém, retornarão no entroncamento tendo uma única parada no semáforo do shopping center Castanheira. E os que estiverem rodando no rumo de Belém/Ananindeua só farão uma parada na travessia do shopping e irão retornar no viaduto. Quando a rodovia estiver livre dos empecilhos que proliferavam o seu leito, adeus engarrafamento! E palmas para os que vierem a executar a missão modernista e corajosa!

— Se a questão for bem analisada. É possível que os poderosos consigam perceber, que a missão poderá ser executada sem a necessidade de coragem, pois parece evidente, que os motoristas gastarão menos, rodando livremente em uma pista desimpedida em comparação com ficar parado durante horas queimando combustível. A economia pode até não acontecer, mas que ele vai economizar tempo e estresse! Ah, isso ele vai!

Os problemas que se repetem a partir do entroncamento até a Lomas, com a mesmíssima precisão dos citados e detalhados com as propostas de resoluções deverão receber os mesmos cuidados daqueles que foram solucionados em tese. Acrescentando nas eliminações os acessos das ruas transversais que desembocam na AB com o direcionamento de atravessá-la ou apenas acessá-la fazendo o uso de semáforo.

— Os quatro sinais que funcionam atualmente na AB para permitirem a entrada e a saída do aeroporto servem para afirmarem categoricamente, que os especialistas lotados nas pastas do tráfego, não são tão peritos como deveriam ser. E também ajudam a provocarem a lentidão do trânsito e a transformá-lo em um caos. Mediante o investimento de uma pequena monta, quase irrelevante se for considerado o benefício que será alcançado: a eliminação do engarrafamento. O cruzamento em questão funcionará com apenas um semáforo.

Parabéns minha querida Belém! Este é o presente que eu lhe dou, além de sempre engrandecê-la nas orelhas dos meus romances.

 

 01/2009.


Edvan Brandão: Especialista em Língua Portuguesa e Literatura; Escritor Ficcionista e Jornalista; E-mail: edvan.brandao@gmail.com Cel: 91 98802-1718